segunda-feira, 30 de maio de 2011

Carta para Alejandro



Ainda tomo mesmo chá que no último ano.

Estava passando um tempo, próximo a acadêmia, enquanto relembrava, através dos sentidos, a sua velha estadia.

O tempo, ainda muito semelhante, esta úmido, com um sol, que muito fala sobre o outono.

Ao fim do dia o frio está em todo lugar. Não encontro mais as mesmas pessoas no café, tenho freqüentado muitos diferentes agora. Todos andam muito cheios nessa época. E as pessoas mantém seus hábitos, a velha pausa em torno das 16:00 horas, muitos dias me dirijo até lá apenas para observar.

Tenho refletido em torno das práticas sociais, nos anos 60, sobre a nossa reestruturação sistemática
“em escala global”.

“Esquizofrenia é uma experiência de significantes materiais isolados, desconectados, descontínuos que não conseguem se conectar numa seqüência coerente... um significante que perdeu seu significado e foi desse modo, transformado numa imagem.”

Ao ler sobre, lembrei-me muito sobre você e suas idéias. Muitos dos textos estavam em crise.

Amigo, a crise está em todo lugar. Aonde quer que eu vá, fala-se do colapso pós-moderno. Não sei aonde fui parar.

Estamos todos cegos.






Um abraço do Resistente Lietzev




sexta-feira, 6 de maio de 2011

Azul e Vazia

















Eu deveria saber
que nada voltaria
por aquela porta Azul e Vazia.

Até olho pelo caminho,
mas não há nenhuma pétala;
da flor a tanto partida,
nenhum vestígio,
nenhum aviso.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Deslize para longe


(slide way)


Sonhei com você,
queria quebrar tudo o que é agora,
Cada dia, como hoje
O sol bate na minha janela e eu não tenho certeza que as coisas estão nessa mesma dimensão.
É apenas o sol,
mas nesse momento, não há que ele possa fazer,
Cartas velhas rasgadas.
Bom dia!

Coisas novas pra dizer.
O vento frio do inverno volta
e aquece tudo o que sou,
Os sorrisos agora são outros,
É só o sol, mas não há nada que ele possa fazer agora
Além de fazer brilhar tudo o que vejo.
É manhã cedo e não sabemos o que fazer.

Apenas deixar ser...


Slide in, baby - together we'll fly
Now that you're mine
We'll find a way of chasing the sun
Let me be the one that shines with you
In the morning
We don't know what to do
Slide away and give it all you've got
Let me be the one that shines with you
And we can slide away
slide way

domingo, 24 de abril de 2011

Sem passado

Agora ela não tem nenhum passado
a estranheza do ontem
nem na face se encontra.

Sem passado agora a garota busca
completar as palavras que antes faltaram
com a matemática na mão e a química da afeição.

Sem passado
Sem traços

Sem espelho
Sem estrofe

No quarto um vazio,
No coração o calafrio
Com a matemática nos olhos, ela pode mudar o olhar do presente

Por realidade a própria hora,

Relógio do tempo preso no guarda roupa
Marcação e fotografia cinza da ilusão agora ela abriu mão.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Violeta













O peso da mão sobre o papel,
Rasga todo o meu véu*,
Por dentro e por fora.

É violeta a cor da flor que observa.
Não se movimenta e nem tenta,
Basta observar atenta.

Se a caneta não me escrever mais,
Eu nem vou sentir
É só mais um dia e um fim.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Desnorteado

Foi naquela manhã que percebi
que o meu norte já não estava ali.

Partiu enquanto eu dormia
bem que ele dizia
que a mim ele não mais queria;

Juntei as pétalas
e as coloquei no lugar
mas os cacos de vidro, eu não pude colar

O sol bateu forte na janela
E eu pude sentir
Que agora já podia ressurgir

Eu vou te encontrar
e vou te dizer
que te querer é me perder

E é a mim que eu prefiro ter!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Marianne

Como uma história antiga,
tão antiga, que já faz parte da própria pedra da verdade.

Com um som oco
e isolado que se repete dia após dia na mesma mente.

Algo tão velho que já é impossivél separar do próprio eu
Abstrato e subjetivo
O Ego tão bem construído;

E eu não saberia mais como dizer, como separar,
descolar um pedaço da própria alma
do próprio corpo, carne e dolorosa verdade.

Aquilo que sempre se diz, mas não se sabe mais.
Pergunta perdida no caminho.
Ignorada.

Apenas uma ideia.
Um ideal fechado, apagado em cada memória.

domingo, 20 de março de 2011

Não há nada para guardar
e os sonhos não tem cor.
Suas coisas estão no mesmo lugar, não há nada pra achar

Em algum momento
e não há mais nada para ser escrito

Tudo está quieto
Tudo está aqui.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Momento cinza da memória

Eu não sei que sentimento tem na caneca
mas estou derramando,
estou queimando,
estou apagando essa mistura.

Você;

Eu;

Algumas manhãs
e o café derramado
a mesa feita,
a cadeira vazia.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O outro lado da Janela

No outro lado da janela
jardim de perguntas que sempre baterão no vidro,
posso ignorá-las mas o reflexo sempre irá entrar por entre as festras da persiana.
Impertinente que é a realidade.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A bateria, os prédios e a avenida

Seus corações vibravam intensamente ao som da bateria
No meio dos prédios, no meio da avenida.

Seus corpos gelavam e a chuva molhava a todos que os assistiam.

Essas pessoas eram eu e você;
As pessoas que trabalham todos os dias como eu e você,
As pessoas que sofrem, as pessoas que cansam as pessoas que vivem
A poesia do dia a dia, da miséria e a da alegria;
A vida operária e a vida barata em cada esquina.

Nas ruas as sombras e a corrida para não perder o ônibus
é a cultura, é a luta pela sobrevivência, a luta do capital,
Da coerção e do Estado;
é a contradição humana
bela e destruidora
 é a cultura em mim e em você.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

E as palavras dele completavam o vazio dela.

...
And in your head do you feel
What you're not supposed to feel
And you take what you want
But you won't get hope for free
You need more time
Because your thoughts and words won't last forever more
And I'm not sure if it'll ever, ever, ever work out right
If it'll ever, ever, ever work out right
Will it ever, ever, ever work out right?
...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A garota que sabia

Antes de fechar a porta eu ouvi o seu adeus,

eu nao pergunto nada,
era uma noite fria, o cobertor me aguardava.

Para quê palavras, basta um virar de olhos.
Lá fora a chuva aquieta e embala a cabeça,
por favor é o suficiente.

Bênzinho, apenas quero minha bebida.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O acordar é um ritual
Levanta ainda perdido, o corredor sempre parece mais longo, é o caminho até o espelho!

Ainda assombrado precisa da música, senta no sofá macio e põe se a ouvir Dvorak, como se as gotas da chuva pudessem dançar e realmente dançam escorrendo de uma planta a outra.

Como seria a vida dos compositores, eles teriam o precioso momento de acordar?

O café sai mais forte que o costume, nada deve interferir só vai acordar um pouco mais.

Vendo a pilha de livros, não se contenta em só olhar, pega um aleatório que pareça disposto a lhe complementar, folheia e lê um trecho, agora sim pode começar o dia. Já tem uma questão em mente.

Qual a música dos seus sonhos? A minha é um Nocturne in Ebm!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Frustrações da mente de Mercúrio, centímetros de solidão

Penso no que penso sobre
penso sobre tudo que penso.
Frustrações da mente de mercúrio que não descansa enquanto caminha,
Divagações que abraçam o espaço.

Cada centímetro da sua solidão
Me assustam e me consomem.
Os pedaços de caminho e
olhos estranhados na escuridão,
que me encontram nas esquinas da rua, e na curva a Lua já bem feita;

E a insistência de algumas palavras dentro do coração
ditas ao acaso,
geladas como uma nova notícia
daquelas que despedaçam.
Aperto bem firme a mão pra sentir afeto.


A verdade não sai,
se você tiver as janelas embaçadas
e ninguém saberá o que passa dentro de uma casa sem alma.

Estranho como nunca soube
que iria embora com as nuvens de tempestade, presas na garganta

É muito fácil escutar as notas de violão
é muito fácil dar as mãos
sem se perguntar sobre a verdade de cada passo.
Eu queria nada saber, mas mercúrio não me deixa não ser.